Adolescência é a fase do ser humano que mais me intriga. Busco compreendê-los, interpretá-los, analisá-los. Mas quanto mais me aprofundo na observação, mais percebo que é preciso ir além da observação à distância: é preciso olhar com olhos e coração de adolescente! E, talvez, olhar com uma boa dosagem hormonal também!
Eles formam uma tribo “multitudo”. Num instante querem, depois não querem mais. Daqui um minuto querem tudo ao mesmo tempo! São crianças e são adultos. São bebês de colo e são velhos de bengala. A adolescência, ao que me parece, é o marco zero onde se encontram todas as emoções, de todas as idades e intensidades, num rebuliço vital que marca a todos e que pode ensinar, para sempre, a arte de apaixonar-se diariamente pela vida. E sorte daquele que, em contato com um “deles”, saiba assimilar esse conhecimento!
Em plena era das especializações, onde o macro é raro e o micro vital, os adolescentes quebram mais essa barreira e conseguem a façanha do “multi”. Multiculturalismo, multifuncionalismo, multiplicidade, multinacionalidade, multimídias… Eles multiplicam todas as possibilidades e criam todas as variações imagináveis e inimagináveis. Eles são muitos e são multifários! São complexos, por isso, multiscientes. São múltiplas suas linguagens, suas formas de expressão e suas ideias. É multi sua capacidade de conhecimento. É multi sua capacidade de convencimento.
Na adolescência há uma profusão de ideais, de utopias, de paixões. Há um mundo a ser conquistado. Por isso a pertinência de serem “multi”. Por isso a necessidade da multiplicação da própria adolescência, em todas as fases da vida. É preciso fartura de sentimentos, é preciso movimento, é preciso encantamento. Sempre. E nessa área, certamente, eles são mestres e têm o dom de multiplicar!